27 de set de 2012

O "CRISTÃO" E A POLÍTICA



Em época de eleições, sempre afloram nas igrejas as mesmas questões: o crente deve se envolver com política? Como votar corretamente? É ético fazer campanha para algum candidato dentro da igreja? O líder pode indicar em quem os fiéis devem votar? Como escolher o melhor candidato?
Não pretendo aqui discorrer sobre todas as polêmicas criadas em torno do tema “O cristão e a política”. Mas, como o dia da votação se aproxima, creio que alguns conselhos sobre o assunto viriam em boa obra.

1. Política é, sim, coisa pra cristão.
Muitos argumentam que “a política é suja e por isso o crente deve manter distância dela”; mas por que razão estamos neste mundo se não para sermos sal e luz em meio à degradação? Não há nada novo debaixo do sol, disse o sábio rei Salomão. Basta uma rápida olhada nas nações e impérios do mundo antigo para descobrir que corrupção, ambição, propina, conchavos, falta de decoro, traições e jogos de interesse sempre existiram.
É fato que existe muita sujeira no meio político, mas isso não justifica que o cristão decida não se envolver. Cruzar os braços e se omitir diante da injustiça social é pecado (Tiago 4:17).
Cada servo de Deus neste mundo é convocado para fazer diferença nesta geração, e isso é muito mais do que entoar hinos dentro de um templo. Significa provocar uma transformação positiva, usar o poder do Evangelho para influenciar a sociedade, condenar o pecado, fazer o bem, pregar a justiça, defender os pobres e oprimidos. Esta é a nossa missão! É justamente a omissão dos justos que faz com que a injustiça prevaleça. É tempo da igreja sair de dentro de suas quatro paredes e assumir funções de liderança em centros comunitários, sindicatos, comitês estudantis, organizações não governamentais e cargos políticos.

2. Igreja: falar sobre política sem fazer campanha eleitoral.
É comum que pastores façam alianças com candidatos, trocando os votos de sua igreja por algum favor em benefício da congregação local. Votar em alguém porque tal pessoa prometeu doar tijolos para a construção do novo templo é simplesmente insano. Quem pensa que político deve ser eleito para defender os interesses de uma determinada igreja, ainda não sabe o que é política. É preciso compreender a real função de cada cargo nas estâncias municipal, estadual e federal e escolher os candidatos com base na sua capacidade em exercer essa função.
Pastores e líderes espirituais que usam sua influência para formar verdadeiros “currais eleitorais” estão traindo o ministério para o qual foram chamados. O púlpito de uma igreja é um lugar profético e não deve ser usado como palanque de candidatos.
Isso não significa que a igreja deve se limitar a falar somente sobre assuntos estereotipados como “espirituais”. Não somos deste mundo, mas vivemos nele. Sendo assim, penso que o púlpito precisa sim orientar o povo a viver o cristianismo na prática, ensinando o que a Bíblia diz sobre ética, política, trabalho, sistema de governo, leis, relações internacionais, meio ambiente, etc, etc, etc.

3. Conheça bem os candidatos e vote com sabedoria.
Não vote em alguém só porque é famoso ou tem boa aparência. O que faz um bom político não é a elegância ou o estrelismo, mas seriedade, competência, experiência e compromisso social.
Não escolha um candidato apenas porque ele freqüenta uma igreja evangélica. Ser membro de uma igreja não significa que a pessoa é cristã, e ser cristão não significa que a pessoa tem vocação para a política. Com certeza, o temor de Deus é prerrogativa essencial no caráter de qualquer pessoa, mas é preciso mais do que isso para exercer um cargo político.
Escolha pessoas com integridade moral. Essa história de que “rouba, mas faz” e “é corrupto, mas ajuda muita gente” não condiz com os critérios que devemos adotar. Devemos lutar para que os representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário no nosso país sejam defensores dos princípios e valores que nós defendemos: honestidade, justiça, família, liberdade religiosa… Votar em pessoas que defendem o aborto, a legalização do jogo e das drogas, a pornografia e a oficialização do casamento homossexual, por exemplo, contraria aquilo em que acreditamos.
Cuidado com pastores e cantores evangélicos que decidem se candidatar. O Ministro do Evangelho foi chamado por Deus para pregar, pastorear, evangelizar, fazer discípulos, batizar, ensinar, curar. Não se trata de uma profissão, mas uma missão. Engajar-se na política pode fazer com que a pessoa perca o foco dessa missão e termine por não fazer nem uma coisa nem outra.
Não vote em alguém somente para não “perder o voto” ou para mostrar indignação. Escolher o candidato apenas com base nos resultados das pesquisas é uma omissão vergonhosa, onde se encaixa a velha descrição de “Maria-vai-com-as-outras”. Por outro lado, votar em quem você acha ridículo como forma de protesto só vai contribuir para que esses “ridículos” assumam o controle do país. Sejamos responsáveis e usemos a inteligência que Deus nos deu para votar com discernimento e consciência.
Não decida seu voto com base em promessas de campanha. Falar é fácil. Todos prometem investir em saúde, educação e segurança. Os discursos são feitos de acordo com aquilo que o povo quer ouvir. Gaste um tempo conhecendo o passado de cada candidato, sua capacidade administrativa, competência política, realizações e experiências naquela área.

Conclusão
Que possamos glorificar a Deus exercendo a nossa cidadania com esperança e responsabilidade.
Escolher pessoas com capacidade política e princípios cristãos é o nosso desafio em cada processo eleitoral. Nem sempre vamos acertar, mas o importante é não desistir. Afinal, não poder fazer tudo não justifica não fazer nada. 

Texto: Pra. Marcia Rezende
Fonte: Ser Igreja