8 de mar de 2012

O "CRISTÃO" E O VINHO


Vamos conhecer sobre o que a Bíblia diz sobre o vinho...
Mas antes disso vamos entender o que significa exatamente a palavra vinho descrita várias vezes na Bíblia.
Vinho é o nome dado ao suco extraído do sumo de uvas frescas. Esse processo de extração se dá em grandes vasilhas de madeira chamadas nos tempos bíblicos de “lagares”, as uvas eram pisadas até ser extraído o suco, esse suco em contato com o ar sofre uma contaminação por um fungo chamado levedura, esse fungo faz com que o suco de uva passe pelo processo de fermentação que dá à bebida um teor alcoólico.

O fermento usado para outros preparos era extraído da espuma da fermentação do suco de uva...

Yayin ou Tirosh?
No antigo testamento, há duas palavras hebraicas traduzidas por “vinho”, a primeira palavra, a mais comum, é yayin, usada 141 vezes no Antigo Testamento para indicar vários tipos de vinho, seja fermentado (alcoólico) ou não-fermentado. Observe, por exemplo, o texto de Neemias 5:18, que fala “vinho de todas as espécies”. Isto significa que a palavra yayin aplica-se a todos os tipos de suco de uva, seja ele fermentado ou não.
Desta forma, yayin pode muito bem ser utilizado tanto para o vinho alcoólico quanto para o suco de uva não fermentado.

Vejamos algumas ocorrências de yayin no antigo testamento.
Para vinho fermentado (alcoólico):

Para suco de uva doce não alcoólico:

A outra palavra hebraica traduzida por “vinho” é Tirosh, que significa “vinho doce” ou “vinho da vindima”.
Tirosh ocorre 38 vezes no Antigo Testamento; Essa palavra nunca se refere à bebida fermentada, mas sempre ao sumo fresco não-fermentado da videira ainda no cacho de uvas ou o suco doce de uvas recém colhidas.

Algumas ocorrências de Tirosh:

É interessante perceber que, sempre que o vinho alcoólico e embriagante é citado no Antigo Testamento, é citado para demonstrar alguma tragédia familiar ou alguma maldição.

A palavra grega utilizada para se referir a vinho no Novo Testamento é “oinos”. Na bíblia ou na literatura secular da época, a palavra “oinos”, assim como “yayin” do Antigo Testamento, pode referir-se aos dois tipos de suco de uva: o não-fermentado e o fermentado (alcoólico).


E qual a relação de Deus com o vinho?
Antes, vamos entender o que a bíblia diz sobre o fermento (que era extraído da fermentação do suco de uva).

Quando foi determinada a festa Páscoa, Deus deixa claro que o fermento era um agente contaminador e que representava impureza:
Durante sete dias comam pão sem fermento. No primeiro dia tirem de casa o fermento, porque quem comer qualquer coisa fermentada, do primeiro ao sétimo dia, será eliminado de Israel. Ex 12:15

Assim era também nas ofertas oferecidas ao Senhor:
Se um de vocês trouxer uma oferta de cereal assada no forno, seja da melhor farinha: bolos feitos sem fermento, amassados com óleo, ou pães finos sem fermento e untados com óleo. Lv 2:4

No Novo Testamento Jesus associa o fermento à doutrina “corrupta” dos Fariseus e dos Saduceus.
Disse-lhes Jesus: “Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus”. Mt 16:6

Deus também se refere ao vinho como algo impuro (profano).
Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações.
Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro, Lv 10:9-10

Então porque Jesus em seu primeiro milagre transforma água em vinho (“oinos”)(Jo 2:1-11)?
Muitos utilizam-se levianamente dessa passagem bíblica para justificar que o consumo do álcool não contraria a palavra do Senhor.
Ora, o versículo de Jo 2:3 deixa claro que o vinho produzido por intermédio do milagre de Jesus só foi servido após todo o vinho reservado para a festa ter sido consumido, quando todos haviam bebido fartamente. Desta forma deveríamos acreditar que era fermentado e, que o primeiro milagre de Jesus, que tanto advertiu para os perigos da embriagues, foi fornecer pelo menos 500 litros de bebida embriagante para que os convidados que já haviam se fartado a beber se embriagassem ainda mais???
Se em 1Co 6:9-10 Paulo coloca os bêbados junto dos ladrões e dos adúlteros, como poderia Jesus compactuar com o consumo de álcool?
Então fica claro que o vinho (“oinos”) daquela ocasião era não-alcoólico...

E quanto à bebida servida na ceia do Senhor?
Nem Mateus, nem Marcos, nem Lucas, utilizam a palavra “oinos” para descrever a bebida da ceia, os três primeiros evangelhos empregam a expressão “fruto da videira” (Mt 26:29  Mc 14:25  Lc 22:18).

O vinho não-fermentado é o único “fruto da videira” sem fermentação e, portanto sem álcool.
Jesus instituiu a ceia do Senhor quando ele e seus discípulos celebravam a Páscoa. A lei da Páscoa em Ex 12:14-15 proibia durante a semana daquele evento a presença de fermento ou qualquer agente fermentador tanto no vinho quanto no pão.
Jesus, filho de Deus cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5:17).
Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa e não teria usado vinho fermentado (alcoólico).
O sangue puro de Cristo jamais poderia ser representado por algo corrompido e fermentado.

Outra passagem bíblica que é largamente explorada por aqueles que defendem o consumo das bebidas alcoólicas, está em 1Tm 5:23 que diz:
Não continue a beber somente água; tome também um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas freqüentes enfermidades.

Aqueles que defendem o uso da bebida esquecem, contudo, de observar o que diz o próprio Paulo em 1Tm 3:2-3, quando aconselha a Timóteo sobre o comportamento daquele que aspira ao episcopado, uma das qualidades destacadas é que o mesmo seja “não dado ao vinho”.

É ridícula a afirmação de que o conselho de uso medicinal do vinho dado por paulo seja desvirtuado para apoiar o consumo de bebidas alcoólicas. Muito pelo contrário, o fato de Paulo precisar recomendar que seu discípulo fizesse uso do vinho e ainda explicar-lhe
Que tal utilização se daria para fins medicinais indica que Timóteo, homem de Deus e cheio do Espírito Santo de Deus, não consumia nenhum tipo de bebida alcoólica.

E essa história de que beber um pouquinho não é pecado, e que só é pecado se você se embriagar?
Isso é mentira do Diabo...
Porque se uma taça de vinho já é suficiente para você ser pego no teste do bafômetro, então imagina no teste do pecadômetro... rs

A palavra do senhor que serve de lâmpada para os pés do justo não deixa margem alguma de dúvida neste assunto. O consumo de bebida alcoólica é pecado, e como tal afasta o homem de Deus.
Buscar, neste caso, exemplos bíblicos para justificar o consumo da bebida equivale a apoiar também o divórcio fácil, poligamia e escravidão que foram, igualmente, alvo da tolerância de Deus. Coloca-se também a Bíblia, injustamente, como co-responsável pelas tragédias decorrentes da indulgência com as bebidas fermentadas. Os costumes e práticas dos antigos, alvo da tolerância de Deus, não refletem necessariamente a vontade divina.

Não se deixe seduzir, não se deixe enganar. O “cristão” NÃO deve consumir qualquer bebida alcoólica, em qualquer quantidade, sob nenhum pretexto...